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sábado, 11 de junho de 2016

As cidades no futuro - 1



A principal fonte de perda de tempo nas cidades atuais é a locomoção. O tempo que se gasta para se locomover de casa para o trabalho e depois de volta, o tempo que se gasta para ir a médicos e hospitais, o tempo que se gasta para ir a shopping centers, locais de eventos esportivos e culturais. Esse tempo está relacionado à localização destes pontos citados e ao local onde a maioria das pessoas mora. De todos, o que gasta mais tempo é o primeiro trajeto citado, de casa para o trabalho. E tanto faz se é usado o carro ou os transportes coletivos. É muito tempo. Nos coletivos, nas maiores cidades – as metrópoles, o tempo é mais do que o dobro do gasto em automóveis, facilmente chegando ao triplo para muita gente. A única solução desenvolvida até agora que atende a uma quantidade expressiva de pessoas é o metrô.  Que beneficia uma parcela apenas da população, pois muita gente ainda mora além do final das linhas de metrô, utilizando então, trens e ônibus, para chegar ao metrô.
De outro lado, se fala de ocupar o tempo em que se está no trânsito com algo produtivo, no caso intelectualmente falando. Ler ou ouvir um livro, ou relatórios da empresa, esvaziar sua caixa de entrada de e-mails antes de chegar ao trabalho, entre outras. 

Quem tem possibilidade de escolha vai trabalhar perto de casa ou morar perto do trabalho. Uma situação mais confortável, mas que pode não durar por muito tempo, dependendo de quanto tempo se permaneça na mesma empresa, ou da oferta de trabalho na sua região. Quem opta por morar no centro das grandes cidades, ou numa região que tenha muitas empresas ou centros comerciais, talvez tenha essa facilidade por mais tempo. Mas isso é para poucos, pois a oferta de moradias no centro ou nestas regiões não é muito grande e é muito cara.

Talvez seja fácil reverter essa situação no futuro, fazendo com que as empresas paguem pelo tempo gasto no trânsito. Nessa situação, interessa à empresa ter mais trabalhadores que morem perto e a situação seria revertida, e o mercado imobiliário se adequaria ao interesse das empresas, chegando a um equilíbrio e em benefício do trabalhador que moraria perto da empresa e teria mais tempo livre.
Numa situação intermediária estaria a cobrança de um imposto das empresas pelo tempo de locomoção dos seus trabalhadores, visto que os gastos da prefeitura são proporcionais ao número de pessoas que transitam pela cidade usando os meios de transporte, seja público ou privado. O mesmo tipo de imposto pode também ser cobrado de que usa veículos particulares para ir trabalhar.
Mas talvez tanto o pagamento pelo tempo ou o imposto cobrado sejam absorvidos pelos preços dos produtos das empresas e não haja os efeitos desejados sobre o tempo gasto na locomoção.

A melhor solução é mesmo a redução do tamanho das cidades. O que não era eficiente há cinquenta anos atrás e produziu as metrópoles e megalópoles, hoje pode ser eficiente com o uso da tecnologia.
Hoje já se afirmar que a redução de custos pela proximidade é necessária apenas para operações que envolvem redes logísticas. E que a necessidade de conversas presenciais somente é necessária em parcela bem menor de atividades, como nas escolas e hospitais. Mesmo em escolas, para determinados tipos de ensino, o ensino a distância já é uma alternativa economicamente viável e em expansão no mundo inteiro. Da mesma forma a assistência preventiva à saúde pode ser feita a distância, como mostra o uso cada vez maior de aplicativos em dispositivos eletrônicos. O aumento do uso das tele conversas pode reduzir muito os deslocamentos.

A questão é que os custos dos deslocamentos, que hoje são pagos pelos impostos, ou seja, por todos, não é contabilizado nestas comparações. No momento em que forem contabilizados, se concluirá que se deve ao mesmo tempo reduzir o tamanho das cidades e aumentar os usos das tecnologias.  A redução dos tamanhos das cidades implicará em que as populações se distribuam por mais cidades. Teremos mais cidades de porte pequeno e médio do que cidades muito pequenas e cidades muito grandes. O que economicamente já não é um problema devido ao intenso uso da internet para todos os tipos de negócios. Com esse aumento no tamanho médio das cidades, se formam agrupamentos de cidades com relações comerciais. Diferente das regiões metropolitanas atuais. E como efeito adicional favorável é que muitos negócios que hoje são inviáveis em cidades pequenas serão viáveis nestes agrupamentos. De outro lado a diminuição das cidades deixará mais espaços naturai.