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sábado, 10 de setembro de 2011

Chega de 11/9

O título de um post é quase tudo, mas este foi fácil escrever. Há uma semana ou mais a mídia nacional, e creio que ocidental, não para de inventar novas formas de falar do 11/9. Novas e muitas, muitas enquetes, novos comentaristas falando das mesmas coisas, novas formas de mostrar as mesmas imagens, novas coberturas do que os americanos estão preparando para o dia após 10 anos, etc, etc. Que muita gente já está cheia disso muita gente já sabe, e eu também.

Mas o que me levou a escrever foi este post no twitter de uma rádio, com a mais criativa enquete até o momento: "Enquete: O que seria diferente no pós 11/09 com Al Gore no poder? Ele também foi vítima de conspiração nas eleições presidenciais?" Tudo bem, pode ser interessante pensar nisso. Mas é um exagero como enquete. 

A mídia faz de tudo para mostrar e "remostrar" - e muito, o que os americanos fizeram, as guerras, a segurança extrema, as ações com turistas, contra estrangeiros em seu país, as homenagens que podem ter sentido para eles mas são sensacionalistas para nós, etc. Quantos milhares morrem no Brasil sem ser notícia? Quantos estão sofrendo agora com as enchentes no Sul? Como escreveu um amigo meu no twitter em seu desabafo sobre o mesmo tema.

A mídia poderia estar gastando bem mais tempo, e melhor, analisando como e por que o mundo mudou nestes 10 anos, o que isso tem a ver com as pessoas comuns aqui no Brasil e fora daqui, enfim em grande parte do mundo. Há também que enfatizar as centenas de milhares mortes causadas pelas duas guerras iniciadas pelos americanos (que Al Gore também faria e o Obama ainda não encerrou totalmente). Foram  900 mil mortes até hoje - citado pelo http://bit.ly/pGK4bU O prejuízo para o orçamento americano com as despesas militares foi alto, mas o lucro privado (talvez o que mais interesse ao governo americano) gerado por estas guerras também é alto, e isso eu não vejo na mídia (alguém viu?). 

Já as questões morais ou éticas, que também são importantes, ficam a cargo de cada um. Mas me permito incluir aqui. Minha filha me perguntou: o Osama é do mal? É louco? Eu respondi: Não. Nem ele nem o Bush. Cada um agiu segundo sua lógica, ou cultura, e muito bem construídas. Cada um reagiu de acordo com suas capacidades. No seu ponto de vista, cada um tem razões suportadas por muitos em seu país ou região. Este é o lado triste de todas estas situações que o mundo viveu e continua vivendo, infelizmente. E temos o que pensar: por que depois dos anos de paz e amor a humanidade não parou com as guerras? Ou, de uma forma menos romântica, por que o país responsável pela guerra símbolo dos anos 60 é o mesmo das guerras que talvez fiquem como símbolo do início do século XXI? Imagine.

P.S. Na minha memória, o assassinato do Osama foi o único na história recente (após a 2a Grande Guerra) anunciado por um presidente de um país, e comemorado por seu povo, esteja em guerra ou não.

Leia também Bin Laden made news, not history - Opinion - Al Jazeera English  http://aje.me/oUkZyd   

 

Posted via email from Blog do Ricardo