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domingo, 2 de maio de 2010

a internet das coisas, 1: spimes

e se todos os objetos ao nosso redor fossem [também] sistemas de informação capazes de saber [e dizer] onde estão, o que podem [ou devem] fazer dentro de seu contexto, da situação particular onde se encontram? e se, além disso, gravassem tudo o que fazem [ou é feito com eles] e ainda pudessem dizer [pra rede] o que foi que rolou [de seu ponto de vista] em função das ações realizadas por [ou com] eles, num certo lugar, tempo e contexto? e se, para cada objeto, valesse o princípio SFO [search, find, obtain] dos engenhos de busca? tudo, no mundo, seria buscável, encontrável e, se você tivesse os meios para tal, poderia obter, literalmente, qualquer coisa. no topo disso, e se cada uma destas coisas fosse unicamente identificada, e identificável sob demanda [pelo menos por quem –ou o que- tivesse tal direito]?…

a estas coisas, capazes de “tudo” isso, bruce sterling deu o nome de spimes. shaping things, escrito por sterling em 2005, é uma espécie de manifesto da web das coisas, um ponto de partida para um universo informacional que vai desembocar em um planeta –algum dia- completamente informatizado.

informatizado quer dizer completamente imerso em informática e informática, neste contexto, deve ser entendida como o espaço tridimensional determinado pelas capacidades de computação, comunicação e controle de [ou sobre] objetos e sistemas. spimes são coisas que processam informação, se comunicam com outros objetos e com o ambiente e controlam ou são controladas por dispositivos em seu ambiente. ou, por outro lado, são controladas pelo ambiente e podem, também, definir o que o ambiente é e controla.

nesta web das coisas, uma coisa na web é algo parecido com um spime, um objeto abstrato ou concreto, imerso em um espaço 3D que convencionamos chamar de informática. um spime, de certa forma, é um espacinho, com certas propriedades, dentro do grande universo da informática.

spimedrawing_silvio

no espaço da informática, acima [que vez por outra eu chamo de C3] os nomes próprios associados a cada eixo são os dos cientistas mais marcantes [na minha opinião] em sua definição: turing é alan, que está por trás dos conceitos fundamentais de máquinas computacionais que usamos até hoje; shannon é claude, na prática o criador da teoria da comunicação e da noção de “bit” que temos hoje; e wiener é norbert, criador da cibernética, o campo multidisciplinar que estuda a estrutura e a dinâmica de sistemas que, de uma ou outra forma, controlam ou são controlados por outros. pra mim, simplesmente, controle. os “+” à frente de cada um dos nomes são necessários porque nenhum deles, claro, criou a base de cada eixo do zero nem, tampouco, o trabalho de cada um encerrou a fundamentação e evolução de cada paradigma.

tempos atrás, warren ellis fez um desenho, mostrado na figura abaixo, do que se poderia imaginar associado a um spime. trata-se de um spime meme map, onde se nota que desde o conceito e especificações de projeto das coisas até sua reciclagem, um fluxo de “bits”, à direita da imagem, acompanha e corresponde a um fluxo de “átomos” [o objeto real ou suas partes] à esquerda. se spimes fossem, ou vierem a ser realidade para todos os objetos [concretos, de átomos] seria possível identificar cada garrafa PET descartada na natureza e quem foi a última pessoa ou instituição que a detinha antes disso acontecer. imagine as consequências.

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agora pense, olhando pro desenho abaixo, vindo deste link: se spimes podem tudo isso, porque não poderiam também se expressar de forma autônoma e, de uma prateleira de supermercado, se autoanunciar, pelo menos se você, ou os canais que conduzem a você, estivessem abertos para tal? imagine o barulho… mas ao mesmo tempo note que tudo o que está descrito no meme map acima e no cenário abaixo é possível hoje; todas as tecnologias e sistemas já estão aí e poderiam estar sendo usadas agora. claro que as coisas não estariam conversando com você, mas possivelmente com seu celular. por que não estão?…

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sterling sabe imaginar futuros e, como tal, sabe que nem sempre os futuros acontecem na velocidade que os imaginamos; ano passado, meia década depois de “ver” spimes em todo canto, ele deu uma palestra de 20 minutos na lift’09, onde faz uma avaliação crítica de como anda o estado do spimeworld em nossos dias.

no mundo de spimeware, algumas coisas estão andando, rápido; outras deram pra trás e outras ainda nem começaram a aparecer. sterling, como todos nós, não está imune a lei de amara, segundo a qual tendemos a superstimar os efeitos das tecnologias no curto prazo e a subestimá-los no longo prazo. clique na imagem abaixo e veja sterling falando sobre seus spimes; amanhã, neste mesmo canal, volte aqui pra gente conversar sobre a internet das coisas, parte 2. este vai ser nosso assunto durante toda esta semana.

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Posted via web from Ricardo MJ's posterous