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quarta-feira, 31 de março de 2010

[Rede] pedido de retratação

Há alguma inserção deste pedido no twitter, para RT?

A comunicação social (!) dominante (ou imperialista, em algum sentido) atende aos interesses do marketing social (!!) das cidades, o que no caso de Curitiba é 100% tendencioso para o que estas pessoas consideram os "pontos fortes" da capital. Isto aparece neste episódio e em qualquer outra matéria de divulgação da cidade (capital ecológica, cidade sustentável, etc).

Neste caso, como há uma lei sobre o assunto, há no que fundamentar um pedido de retratação. Nos demais casos ficamos por conta dos "formadores de opinião" e "pessoal de marketing" que, infelizmente, tem maior influência sobre a nossa mídia local.

Abraços,

Prof Dr Ricardo Mendes Jr
http://www.twitter.com/ricardomendesjr
Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção, Coordenador
www.twitter.com/ppgepufpr
Grupo de Tecnologia de Informação e Comunicação, GRUPOTIC
http://www.twitter.com/grupotic
Universidade Federal do Paraná
Tel/Fax 41-3361-3448

2010/3/31 Julia Basso Driessen <julia@soylocoporti.org.br>


PEDIDO DE RETRATAÇÃO

 

Curitiba, 29 de março de 2010.

 

ACC/Grupo Paulo Pimentel e Prefeitura de Curitiba

 

ASSUNTO: 317 anos de Curitiba! “Muita coisa mudou”, mas o desrespeito à herança afro continua.

 

O encarte realizado pelo Grupo Paulo Pimentel, patrocinado pela Prefeitura de Curitiba e distribuído no jornal O Estado do Paraná, em comemoração ao aniversário da cidade, retrata o estereótipo discriminatório clássico difundido a respeito da herança cultural afro-descendente. A primeira frase do encarte diz que “Portugal, Itália, Espanha, Japão e muitos outros países estão presentes em Curitiba”. Fechando o livreto, uma representação visual da composição da população curitibana conta: “1693 Curitiba é fundada sobre a influência de brasileiros, portugueses e espanhóis...” Nem mesmo caricaturados de escravos os africanos são citados!

Na continuidade do primeiro parágrafo da revista fica evidente a invisibilidade das culturas de matriz africana na visão de mundo dos criadores do encarte: “Cada pedacinho da cidade recebeu a influência de imigrantes que deixaram o registro de sua cultura e sua história” (grifo nosso). Os imigrantes são o cartão postal do etnocentrismo gritante que ainda impera na produção de memória da nossa população.

Se isso não caracteriza racismo (crime), então só pode ter sido esquecimento. Ou economia de palavras. Pois estamos falando de 25% de afrodescendentes no Estado do Paraná (no Brasil são aproximadamente 80%, segundo o IBGE de 2000).

As Conferências para a Igualdade Racial já alertaram para os efeitos nefastos deste tipo crônico de “esquecimento”. Os materiais institucionais sobre a nossa identidade precisam de revisão urgente, afinal eles omitem ou citam a presença afro de forma simplista, preconceituosa e discriminatória. Será que o senhor Prefeito, Pai e Candidato à Governador do Estado compreende a dimensão deste fato para dezenas de milhares de crianças e adolescentes paranaenses? Um quarto da população do nosso Estado...

A publicação também registra que a sede da Sociedade Operária 13 de Maio “surgida no período de emancipação dos escravos” ficava(?) na Des. Clotário Portugal.

A igreja do Rosário dos Pretos de São Benedito, construída na época do apartheid declarado, no século XVIII, também foi lembrada (mas apartheid declarado foi em outros tempos, hoje é pior, o cancro do racismo é velado...).

Fala-se ainda dos irmãos Rebouças, engenheiros responsáveis por importantes obras de engenharia. Ufa, uma referência diferente da caricatura... Mas o que dizer das páginas internas, onde os países são descritos separadamente? Fala-se inclusive da África (sic!) e do Egito... Felizmente agora existe a Lei 10.639/03, que determina a obrigatoriedade do ensino da história e da cultura afro e indígena no currículo escolar. Os jornalistas do futuro saberão que a África é um continente com mais de cinqüenta países, entre eles o Egito!

Outro marco histórico da cidade, relativo à história dos ascendentes africanos (além da Sociedade 13 de maio e da Igreja do Rosário), é o Pelourinho de Curitiba. Um passo importante a ser dado seria a retirada do orelhão que esconde o marco do Pelourinho, em frente à Praça Tiradentes. Fica a sugestão! Afinal, além do 20 de novembro, o povo afro-descendente poderia ser lembrado também no dia 29 de março, como parte relevante e integrante da história da nossa cidade. Isso mostraria que a prefeitura não se comporta de forma ambígua com relação à população afro. E mostraria, principalmente, o quanto nossa cidade é evoluída tanto no quesito ambiental quanto humano. 

Fica aqui nosso manifesto de repúdio ao encarte “a volta ao mundo em Curitiba”, e nosso apelo ao bom senso dos dirigentes e formadores de opinião. Reivindicamos publicamente uma retratação, na forma da revisão deste material vexatório, distribuído em massa, e da distribuição de outro, equivalente em qualidade e quantidade, valorizando a herança cultural e a dignidade do povo afro, com informações e referenciais positivos e relevantes para a memória da nossa população.

Com nossos sinceros votos de que o apartheid seja extirpado da “capital da cultura européia”, subscrevemo-nos ansiosos por sua resposta.

 

Cordialmente,

 

Adegmar José da Silva

Zelador Cultural Candiero

Presidente do Centro Cultural Humaita

Contato: emaildohumaita@gmail.com | [41] 9161.7961



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