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sexta-feira, 1 de maio de 2009

Dia do Trabalho

A batalha entre capital e trabalho não tem fim. Por que o capital explora o trabalho mantendo os salários o mais baixo possível, usando o excedente de trabalhadores. Esta equação vigora desde os primórdios do capitalismo e se atualmente em alguma região ou país específico esta equação parece estar resolvida, é porque um novo excedente foi incluído, com salários ainda menores, como fazem as empresas multinacionais com as fábricas fora de seus países sede.
O Dia do Trabalho no Brasil e boa parte do mundo perdeu a memória de que está lembrando o ideal dos mártires de Chigago. Hoje lembra-se mais o poder dos sindicatos e as causas políticas, que hoje não se vê muitas neste país (o que mais é discutido é a falta de ética dos congressistas, as suas farras e as dos seus sócios perseguidos pela Polícia Federal), do que as reinvindicar de forma mais propositiva, inovadora e, por que não, ofensiva. Luta-se para conquistar direitos adquiridos com o Sr. Getúlio, como se não o mundo do trabalho não tivesse sofrido modificações (e estas, geraram consequências piores para os trabalhadores?).
Neste ano, a crise financeira e as decisões que vem sendo tomadas por governos e empresas estão no centro das discussões e das lutas dos sindicatos. No entanto, esquecemos todos que esta luta é da sociedade, por que irá atingir a todos, se a crise perdurar por muito tempo, e foi por todos provocada, principalmente pelos que puderam colocar seus recursos financeiros nas máquinas da alavancagem financeira - aí incluídos, classe média, ricos, bancos e empresas - nacionais ou não. Quem pensava que ganhos financeiros pode se perpetuar e que não percebe que ganhos somente existem os do trabalho e da produtividade, merece esta crise que aí está. Assim, esta crise deve servir mais para provocar mudanças radicais no nosso modelo de ganho, do que para acomodar as empresas ainda saudáveis no mesmo modelo. E me parece que os trabalhadores (seus sindicatos) estão mais preocupados com o emprego do que com o modelo.
Vemos diariamente uma briga pela comprovação dos estragos da crise - dados oficiais versus dados das empresas - que querem mais benefícios, e dados dos trabalhadores - que querem manter os empregos. Se é tsunami ou marola, se a redução temporária do IPI ajuda ou não ajuda (eu vi anúncia de geladeira com IPI reduzido a preço igual que ao que se pagava em promoções no final do ano!), se as obras do PAC (que não eram do PAC e viraram do PAC por mágica) ou o programa de casas populares estimulam a economia ou não.
Não se vê trabalhadores e sindicatos lutando pela redução da jornada de trabalho (nem deveria ser para 40, já para 36 horas), pelo fim das horas-extras permanentes (mais de 40% dos trabalhadores do país fazem horas extras todos os meses), o fim do fator previdenciário, o trabalho noturno, condições melhores para o trabalho em relação às estratégias de gestão de produção das empresas, a política industrial do governo que não pensa no mercado interno (pois é mais dos exportadores e das multinacionais), a política de investimentos públicos, de distribuição dos impostos, a política de concessões privadas para serviços públicos, a educação e a saúde públicas, etc.
Se estamos vendo algumas decisões boas, como a redução da taxa Selic, a pressão para redução dos juros bancários (e o mercado praticamente monopolizado de cartões de crédito?), a redução de alguns impostos (e o imposto de renda da pessoa física?), a breve redução do preço da gasolina (tudo tem o momento certo!), entre outras, é porque são situações vexaminosas de favorecimento direto ou indireto de pequenos grupos que já não se sustentam mais (sorte destes que o nosso povo é pacífico).
O que precisamos ver são mudanças permanentes que, não só nos ajudem a superar a crise, mas nos ajudem a criar um novo modelo de produção, nesta guerra entre capital e trabalho, que gerem renda para toda a população.