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sexta-feira, 3 de abril de 2009

Tempo: o mal do século XXI

Resposta a Maria Rafart (TEMPO, TEMPO, TEMPO... será que tem alguém apressado por aqui??
Postado em 21/3/2009)

Sim, a noção de tempo tem se deturpado nos últimos tempos. Neste século, nas grandes cidades, perdeu-se a noção do que era bom, e aceita-se muita coisa ruim em nome da modernidade, da competitividade, do consumo necessário, etc. Ser rápido raramente é bom. A praga do momento no trânsito são os moto-boys. Sim, porque com os carros já nos acostumamos (não sei por que me incluo, mas tudo bem, se nada faço contra é porque "estou" a favor). Os moto-boys explodiram por causa desta busca pela rapidez. A rapidez na entrega de certas compras ainda pode ser útil, mas o tempo de entrega não precisa ser tão curto. Todo mundo sabe que todo mundo pede pizza no sábado. Se você acha meia hora um exagero, então tome uma atitude. Mudar de pizzaria, provavelmente não vai adiantar. Então coma pizza na sexta-feira. Eu faço isso há alguns anos, e não tem diferença - pois eu não fico em barzinho depois do expediente. E no sábado, faça sua própria comida, pois tem mais tempo para isso. Se não chega a tanto, faça um cachorro-quente, ou vá a pé em algum local próximo que venda cachorro-quente ou espetinhos.

Que entregas deveriam ser mais rápidas? Além das pizzas e outras comidas. Remédios para idosos, talvez só isso. O restante poderia ser muito melhor organizado em termos de logística urbana, e ser entregue de um dia para outro, ou em horários de menos trânsito. As lojas, oficinas, escritórios e outros estabelecimentos criaram esta coisa do "tem que ser agora", do "vamos entregar pronto hoje mesmo", sem perceber a roda viva que estavam começando. Basta parar um pouco para pensar, e concluir que a utilidade do produto "entrega rápida" não compensa o caos que se criou, ou está encobrindo a não produtividade ou competência da empresa.

E, concordando com Maria, este ritmo acelerado se transferiu para nossas atitudes e ações. Há pessoas que não podem pensar que ficaram alguns minutos do seu dia de trabalho sem pedir nada, sem passar um e-mail, sem redigir algo, sem conversar, etc. Quando bem poderia usar estes minutos para reflexão (que é diferente de pensar numa solução), para ligar para alguém, para enviar um recado no Orkut (há empresas que não permitem, outra burrice), etc.

A própria ideia de que é ruim ir ao supermercado está associada ao tempo que se perde. Quando é o contrário, indo ao supermercado com tempo, você também está no lazer (mas cuidado com o orçamento, e leve uma lista de compras), pode olhar marcas novas, promoções com mais cuidado, degustar alguma coisa, conversar com pessoas que sempre estão lá e você não vê. Mas vá num dia e horário alternativo ou um mercado alternativo (ao hiper cheio de todo dia).