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sábado, 12 de abril de 2008

Direito de todos

Há direitos de todos que o governo não tem proporcionado convenientemente, como educação, saúde, saneamento básico e segurança. Mas na situação em que nos encontramos, e até que consigamos fazer com que nossos impostos (quando pagos) possam oferecer estes direitos a todos, eu penso que as pessoas que pagam por serviços similares deveriam abrir mão destes direitos em favor dos que não tem alternativas - e lutar para melhorar a administração dos recursos públicos. Se a pessoa tem plano de saúde, não deveria usar o posto municipal ou hospital publico, ou quando o fizer, o plano de saúde deveria ressarcir o governo. Se pode pagar por remédios, não o busque nos postos de saúde. Se pode pagar escola particular, coloque o filho em escola no bairro, ou próximo, e pague um transporte escolar, que é melhor do que ter que se deslocar de carro para outro ponto da cidade (aumentando a frota em circulação), ou colocar seu filho no onibus em horarios de pico (para encher mais o ônibus). E assim por diante. O excesso de pessoas nas cidades e a má distribuição da infraestrutura e recursos publicos implicam na necessidade de reflexão e busca de outras soluções mais imediatas para amenizar nossos problemas. A liberdade de escolha, como direito da pessoa, vai até onde não atrapalhe o direito de outra pessoa. E na situação em que vivemos, nesse sentido, nossa liberdade está cada vez mais restrita.

O ser humano busca proteger sua própria existência e daqueles que são mais próximos, é natural. Como ser social, deveria conquistar o reconhecimento e o afeto de seus semelhantes para compartilhar o seu prazer, confortá-los com sua solidariedade e melhorar suas condições de vida. No entanto, estas duas "necessidades" estão freqüentemente em conflito, e sua combinação determina até que ponto um indivíduo pode alcançar o equilíbrio interior e contribuir para o bem estar da sociedade. "O individuo é capaz de pensar, sentir, atuar, e trabalhar por si mesmo, mas sua dependência da sociedade é tanta que é impossível pensar nele, ou compreendê-lo, fora do marco da sociedade. É a sociedade quem lhe proporciona comida, roupas, ferramentas de trabalho, linguagem, as formas de pensamento, e a maior parte do conteúdo do pensamento; sua vida se faz possível graças ao trabalho e às conquistas dos muitos milhões, contemporâneos e antepassados, que estão escondidos detrás da pequena palavra 'sociedade'", como já apontou Einstein há 60 anos atrás. Conclui ele que "a crise de nosso tempo reside principalmente que o a maioria das pessoas não sente esta dependência como um traço positivo, mas uma ameaça a seus direitos naturais, ou a sua existência econômica. Por outro lado, sua posição na sociedade é tal que os impulsos egocêntricos de sua constituição são constantemente acentuados, enquanto que seus impulsos sociais, naturalmente mais débeis, se deterioram progressivamente". Podemos então dizer que os atuais habitantes das "cidades" são "civilizados"?

O ser humano só pode encontrar o sentido da vida consagrando a sociedade. Talvez daqui a um século tenhamos uma civilização, verdadeiramente civilizada e sustentável. Ao mesmo tempo vivemos uma época assustadora, mas maravilhosa, pois, a partir de todos os tipos de "ativistas" e "revolucionários", vamos construir esta nova civilização. Que saberá viver na alegria, sem necessidade da mídia superficial e pró-consumista, solidária com a sua comunidade, compartilhando suas preocupações e suas necessidades, apoiando uns aos outros e trabalhando juntos.